Venho de família de músicos, meu pai italiano e minha mãe portuguesa. Meu pai no auge da sua juventude, ritimista, saxofonista e no pandeiro ele era brilhante.
Já aos quatro anos de idade tinha o desejo de ter um violão, mas não tinha condições de comprar, confesso que engraxei muitos sapatos e mesmo assim era impossível de adquirir o tão sonhado violão.
Já em Santos (SP) terminei meus estudos, trabalhava durante o dia e fazia faculdade a noite. Trabalhei como eletricista de automóveis e me aperfeiçoei em elétrica naval e aeronaval.
Em 1964 finalmente ganhei meu primeiro violão, um belíssimo exemplar. Em 1968 prestei meu serviço militar com muito orgulho no primeiro batalhão de infantaria blindada, detalhe o violão já me acompanhava. Comecei a estudar o instrumento com o professor Cirillo Ribeiro e terminei o curso com o professor Humberto Lage em Santos (SP).
Sempre tocava par meus amigos e professores, os dedilhados que aprendia; e confesso que sempre gostei de instrumentos de corda.
Foi então que ao ouvir pela primeira vez o som de uma viola, o que me chamou muito a atenção, por ser muito bem executada, mas não sabia quem a tocava. Despertou-me o interesse, pois não havia nenhum erro na música, ou melhor, nos belíssimos solos. Logo mais tarde descobri o solista tão perfeito: Zé do Rancho.
A partir daí comecei a me interessar pela viola. As músicas soladas com o Zé do Rancho são tão perfeitas que me fascinam até hoje. Em 1994 já em Tupã (SP), onde resido atualmente resolvi fazer um violão e uma viola. Confesso que abandonei uma carreira brilhante e passei a construção artesanal dos instrumentos.
Não foi fácil, mas eu fiz! Fiz com muito carinho porque o amor pelo instrumento falava mais alto. Fui me aprimorando na viola e no violão.
Agora vem a melhor parte, o desejo de conhecer o solista Zé do Rancho. Usei todos os recursos possíveis para localizá-lo. Até que consegui, meu sonho passava a se tornar realidade. Fui ao encontro do mestre, o artista dos artistas assim carinhosamente apelidado.
Levei duas violas de minha fabricação para que ele as experimentasse e que as tocasse. Naquele momento a emoção tomou conta de mim até porque estava na frente de um músico inigualável. Ele as experimentou e disse: “Gostei do estilo, mas vou lhe apresentar um luthier que vai lhe dar melhores explicações sobre o instrumento”.
Fui ao encontro do mesmo que me recebeu muito bem e me deu toda a assistência. Também conheci através de um músico outro grande luthier, que me deu uma verdadeira aula de lutheria.
Já com um certo conhecimento sobre os instrumentos retornei a casa de Zé do Rancho(do qual passei de fã a amigo), levei outra viola. Pedi a ele que a tocasse e ao executá-la disse-me: “Parabéns Sr. Flávio, o Senhor chegou onde queria chegar”.
Tive o privilégio de receber das mãos do “mestre” um troféu de sua coleção. E desde então não parei mais de confeccionar os violões, violas e também cavaquinhos. Continuei pesquisando onde adquiri ótimos livros sobre o assunto.
Meus agradecimentos ao instrumentista e pesquisador Roberto Corrêa, Brasília (DF).
Meus mais sinceros agradecimentos ao solista, instrumentista e grande amigo Zé do Rancho e um forte abraço á todos os luthiers.
A música raiz, fala mais alto quando Zé do Rancho, ponteia a viola!
Agradeço a Deus por tudo e pela a “humildade” que Ele me deu!!

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